Vida que segue


Eu já detestei café. Já achei que mulher tinha que se dar ao respeito e que funk era horrível. Já acreditei que bolsa família era esmola e era obrigação do homem pagar a conta. Já odiei Os Simpsons, detestei Marília Medonça, falei mal de mulher que pegava geral, acreditei em racismo reverso. Já gostei de homem controlador, já detestei açaí, já briguei com amiga por causa de namorado. Já achei que ser bonita era mais importante do que ser inteligente, já achei Leonardo di Caprio lindo e o Alexandre Frota um homão da Porra.

Nada disso me pertence mais. Eu tinha bons argumentos para cada uma dessas besteiras, argumentos tão bons quanto só a falta de maturidade e a insegurança disfarçada de convicção te dá. E não me arrependo, nem me julgo. Só me aceito com a tranquilidade no olhar de quem sabe o caminho que andou pra chegar até aqui.

Talvez, seu tivesse aceitado todos os conselhos, quebrado menos a cara, sido menos babaca e voluntariosa, não seria essa mesma eu aqui olhando o universo com esses olhos de quem sabe que amanhã vai ser completamente diferente.

É vida que segue, assim,  sem regra, sem obrigação de agradar. Sem obrigação de andar em linha reta nem de ter certeza.

 

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