Sobre despedidas


Tem gente que não acredita, mas eu sou sensível. Eu me apego. Sou leal e não gosto de sentir saudades. Prefiro romper relações, fingir que a pessoa sumiu ou me odeia do que aquela sensação de que não posso estar perto porque o universo não deixa. Faço de conta que nem quero mais.

Há uns dez anos atrás eu mudei de cidade drasticamente. Deixei para trás pessoas com quem eu dividia meu cotidiano. Gente que eu amava. Alguém. Alguens. Então passei a fingir que não me importava. Cortei relações, fechei portas e tranquei janelas. Entenderam que eu queria seguir a minha vida, mas não era isso: eu só queria não sentir. Mas sentia.

Acompanhei as pessoas de longe, com alegria e ciúmes. Me perguntando como seria estar ali. Mas eu não estava. Nunca mais iria estar. De fato não estive.

Doeu.

Ainda não aprendi a lidar com perdas ou despedidas. Não acredito mais em ‘até logo’ nem em ‘vamos continuar nos vendo’. Só acredito que as pessoas vão e não voltam, ou quem não volta sou eu. Que a vida continua, e, quando eu olho pra traz muita coisa poderia ter sido e não foi. Nunca será.

Nada é para sempre.

Muita gente poderia ter estado aqui, mas não esteve. Chegaram pessoas diferentes que nem sempre ficaram. Ficou o aperto no peito por todo aquele gostar, amar e querer bem que ficou em algum lugar. E não volta.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *