Sobre Amizade 1


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Hoje é aniversário da minha amiga mais antiga. Desde que me entendo por gente nós somos confidentes. Brigamos inúmeras vezes na infância, mas sempre voltávamos a brincar como se nada tivesse acontecido. Somos cúmplices, mesmo nunca tendo de fato morado na mesma cidade. Nos encontrávamos nas férias e passávamos o resto do ano nos comunicando por cartas, os Correios fizeram fortuna com a gente.

Somos completamente diferentes, do primeiro ao décimo. Eu sou maluca feminista inconsequente, ela é certinha conservadora e cuidadosa. A chave da minha casa era entregue pra ela quando a gente ia para as baladas porque eu poderia perder, mas ela não. Já aprontei e dei muito trabalho, ela cuidava e sempre se comportava.

São 27 anos de amizade, e uma sabe qual será exatamente a resposta da outra antes de perguntar. Já sabe quando o relacionamento da outra acaba antes de ser dito. Sabe quando é hora de calar e quando é hora de não dizer. E mesmo passando anos sem nos ver pessoalmente, quando a gente se encontra é como se o tempo não tivesse passado.

E pensando sobre isso, cheguei à conclusão que toda amizade que se preze é assim. Algumas em maior grau de intimidade do que outras, mas sempre seguindo essa lógica: almas que se respeitam e se completam mesmo que aparentemente não tenham nada em comum. É conhecer o outro e não ter medo de ser quem é, porque sabe que vai ser amada apesar de qualquer defeito. É a certeza que vai amar incondicionalmente também. É a forma mais sincera de família.

Mais do que feliz aniversário, eu desejo que ela seja amada. Desejo que ela encontre pelo caminho outras amigas que a amam tanto quanto eu, mesmo achando que provavelmente outra ligação como a nossa seja difícil de achar. Mas gente que a ame só a metade já vai ser amor pra caramba, e todo mundo merece ter amizades assim.

Te amo Carina.


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