Quando a santa não bate 1


Quando a santa não bate não adianta forçar. Inexplicavelmente eu crio ma repulsa , um bloqueio. Talvez até tenha alguma explicação, mas nunca é plausível o suficiente. Pura implicância. E eu me sinto culpada, principalmente se o alvo for outra mulher.

Por mais que eu saiba de um monte de cachorrada que a criatura fez com pessoas que eu conheço, comigo mesmo nunca fez nada. Nadinha. Nadica de nada. Mas não consigo confiar, parece que a qualquer momento ela vai dar o bote.

Ma fazer o que? Não gosto! A presença dela me incomoda, o jeito irritante de falar me dá gastura. Sabe aquela agonia ruim no dente? Pois é! Aí falo para mim mesma: isso é besteira, deixa disso!
Mas não deixo.

Eu juro por tudo de mais sagrado que é involuntário.

Minha alma feminista ruge, me maltrata, e me diz que eu sou péssima pessoa. Me tortura toda vez que a dita cuja passa e aquele sentimento de repulsa toma conta de mim. Não quero sentir isso todos os dias, me dói. Na real, acho que dói só em mim, porque ela continua muito bem sem meu selo de aprovação.

Já cheguei a me perguntar se não seria inveja ou se não tem alguma coisa dela que pareça comigo e eu não percebi. Não cheguei a nenhuma resposta. Eu realmente não sei de onde isso vem, só sei que é péssimo.

Então resolvi aceitar que sou humana, tenho o direito de não gostar e sentir o tal nojinho. Sinto! Reconheço! Não me orgulho. Mas sigo mantendo distância e me perdoando por isso.

Ilustra em destaque de Hirata Yodom

 


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Um pensamento em “Quando a santa não bate

  • Vy

    Ah, normal, ainda mais se a pessoa fez algo ruim pra alguém que a gente conhece, que é nossa amiga, a gente fica na defensiva. Se você já procurou todos os motivos e não achou nenhum que fosse “só porque ela é mulher”, relaxa. Todo mundo tem essa impressão de “santo que não bate” com alguém na vida 😉