O medo


Depois do impulso ela se vê em meio daquela situação de perigo óbvio. Medo!

Já tá na porta do incêndio sentindo o calor do fogo, e vem aquele nó no estômago. No peito. Frio nos ossos. A certeza que quer voltar atrás com a sensação de que quer seguir em frente. É como uma hipnose em desenhos animados: o corpo faz o contrário do que a mente e a razão mandam. E ela vai, com aquela espiral rodando dentro dos seus olhos na esperança de acordar logo e parar de fazer essa merda.

Algo engraçado sobre o medo é que ele paralisa algumas pessoas. Alguém comum teria parado diante da casa em chamas e talvez morrido queimado por não conseguir sair do lugar. Com ela não é assim. Isso lhe dá coragem, força. É um desafio. Como quando ela era criança e alguém dizia: “duvido que você pule o muro do vizinho”. Pulava mesmo sem querer pular, morrendo de medo do cachorro pegá-la antes que tocasse o chão. Precisava provar que conseguia, não pro desafiante, mas pra ela mesma.

O medo é para ela a prova de que ela pode seguir adiante e ultrapassar o próprio limite. Vai! Quem te impede além de você mesma?! Não seja covarde! Assim como o impulso, a sensação de seguir apesar de temer é viciante. Ir com medo mesmo é uma injeção de adrenalina e contentamento mais louca do que uma pá de drogas no seu sangue te deixando muito louca. Ela fez uma vez, vai fazer de novo porque é viciada em sentir o pós-medo.

Ela poderia fazer esportes radicais ao invés de estragar a própria vida!

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