O impulso


Não pensou muito. E quando pensa?! Tudo o que fala ou faz é por impulso. Mas geralmente são coisas cotidianas como falar o que não devia ou se meter aonde não é chamada. Quase nunca atitudes insanas como se jogar na frente do ônibus, dançar macarena no meio da missa ou bater na cara de um policial.

É louca,  não burra.

Mas impulsos são impulsos justamente porque não se espera por eles. Dá vontade, pronto, fez. Não dá tempo de pensar antes, de ponderar se vale a pena ou não. É correr pra dentro de uma casa pegando fogo sabendo que vai se queimar sem saber nem o que está procurando lá dentro, mas ter a certeza que quer algo dali.

Não sabia se era pior se queimar ou ficar só olhando o fogo arder.

Queimaduras doem, muito. Causam feridas expostas e visíveis que podem mudar a sua vida e o seu cotidiano. Essas feridas vão demandar cuidado, tempo, dinheiro… Ninguém quer sair por aí com a pele marcada de cicatrizes que não vão deixar de existir nunca. Ninguém quer se ferir, não alguém com o mínimo de senso de autopreservação.

Mas ficar só olhando o fogo arder dói por dentro. A alma. Aperta o peito. Faz ela se perguntar como seria pegar o que tem lá dentro, se aquilo a faria mais feliz. Provavelmente não faça, mas teria a resposta. Serviria para aquietar seu coração e se espírito. Sentiria o calor. Estaria viva!

Alguém que só observa é passivo, quase morto e inerte. Quem corre o risco de se queimar fica com todo ônus, mas sabe o que significa sentir algo além de frustração e impotência.

Não se sabe se ela decidiu ceder ao impulso e correr o risco. Mas dizem que ela anda mais alegre, diferente. Certeza ninguém tem, mas parece que entrou na casa e saiu sem que percebessem. Nem se queimou.

Talvez se queime na próxima. Quem prova o que é sentir o corpo tremendo e o coração batendo forte não deixa de correr o risco. É o que dizem. Se entrou no meio do fogo uma vez, vai entrar de novo.

O impulso é viciante.

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