Intensidade 1


Não me peça para ser pouca, eu não sei ser rasa. Tudo o que faço acompanha a intensidade do que sou. A voz alta, o cabelo vermelho, as tatuagens, as roupas estranhas, a veia dramática que colore o meu mundo. Você não sabe nada sobre mim ou sobre o que vivo.

Em tempos de modernidade líquida e contatinhos, não conheço ninguém que considere a intensidade como qualidade em alguém.  Qual é a vantagem de viver no tudo o nada?! Sem meio termo. Sem meio gostar. Sem meio sofrer. Sem meia felicidade. Sem meio sonho. Sem meia opinião. Seja pra se doar ou pra se doer, que seja completamente.

Eu pulo de cabeça. Beiro o patológico. Nunca se sabe até aonde eu posso chegar, mas sei que sempre só atinjo a mim mesma e quase nunca os outros. Meu emocional é uma montanha russa. Quando amo ou quando odeio (sempre assim, em extremos) o faço com muita verdade. Se quero o seu bem quero o melhor, mas se entro numa briga é pra voar as bandas.

Minha forma exagerada de viver e enxergar a vida nunca vai mudar. Não tem marido, mãe, tia, amiga ou papa que faça com que pare de viver minha intensidade até a última gota. Eu me permito. Sei que sou corajosa por ser assim. Louca! Estampo na cara tudo o que penso e o que sou e o mundo não está preparado.

As dores de ser assim só eu sei. É solitário, é vulnerável, é forte. Mas não faz mal, faz parte.

Não sou excêntrica. Mas é a minha intensidade o meu brilho e o meu calor. O que tira a minha calma e me faz sentir. Sentir pra caralho.

Ilustras da Dindi

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Um pensamento em “Intensidade

  • Roberto Amaral

    Show de bola. Encontrei seu blog ao procurar pela imagem de um botão de “Foda-se” risos. E curti pacas suas palavras espontâneas e originais. Gosto disso. Gosto de pessoas diretas, sem falsos pudores ou moralismos babacas. Continue assim. Beijo grande.