Filme – Maléna


filme-malena-2**Contém Spoilers**

Toda mulher que já andou sozinha na rua ou já teve sua vida pessoal como alvo do interesse alheio, vai se identificar com essa protagonista. Todas nós somos um pouco Maléna.

O filme conta a história de uma mulher linda sob a perspectiva de um garoto em plena puberdade, Renato. É uma personagem como várias na época de guerra, que esperava seu marido retornar com vida dos campos de batalha.  Enquanto ela passa pelas ruas da cidade, ouve toda sorte de cantadas, passa pelos os olhares maliciosos dos homens e os invejosos das mulheres. Inveja essa que faz surgir várias fofocas mentirosas sobre a vida da moça, que aos poucos vão lhe minando a tão estimada honra.
Nesse pedacinho do filme foi a primeira vez que me identifiquei com Malèna. Seu olhar baixo, resignado, de quem não tem como se defender das investidas e não se sente nem um pouco lisonjeada com os supostos elogios à sua beleza. Uma mulher que, à medida que Renato se aprofunda em sua vida, descobrimos que só quer que o marido volte da Guerra.

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Quando Maléna recebe a notícia da morte de seu marido, todo o respeito que impedia os homens de se aproximassem dela, acaba. Ela fica mais vulnerável e é ainda mais assediada. As fofocas sobre sua vida tornam-se ainda mais maldosas e mentirosas, a ponto de fazer ruir de vez suas chances de obter um casamento, e obrigando-a a prostituir-se para sobreviver.

Quando Malèna enfim torna-se acessível á cama daqueles que a cobiçaram tanto, deixa de ser mulher. Torna-se uma coisa! Passa a ter soldados alemães como clientes, e quando enfim a guerra acaba, as mulheres da cidade usam isso como desculpa para enfim fazer o que achavam que ela merecia: ser humilhada em praça pública. Ter sua beleza atacada e ser ferida unicamente por ser o que é, por não se encaixar no que se esperava dela esquecendo completamente dos motivos que a levaram a chegar aonde chegou.

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Chega a ser um alívio quando enfim acontece a redenção de Maléna, quando vemos que ela vai poder ser feliz. Mas ainda assim fica claro que as marcas do que passou marca-a para sempre.

E não é sempre assim?!

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