Daquilo que aprendi com a vida


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Acho clichê e contraditório dizer que a vida ensina, já que não é função da vida ensinar ninguém. Acredito que se a vida fosse um ser, ela seria aquela amiga alcoólatra que te chama para as festas na quarta-feira. A vida seria uma mulher boêmia, com vários amantes e nenhum peso na consciência. Usaria salto 15, vestido colado ao corpo e sambaria como se o amanhã não fosse chegar.

A Vida seria uma mulher egoísta. Daquelas que só pensa no próprio prazer e satisfação. A melhor companhia para as farras, mas nem um pouco interessada nos seus problemas mais profundos. Ela sempre continuaria a dançar e se divertir mesmo quando tudo parece desabar. A Vida jamais pararia, estaria sempre disposta para a próxima dose, de festa em festa, de cama em cama.

A Vida, se fosse um ser, seria uma vadia. E se orgulharia disso.

A Vida, se fosse gente, seria má. Cruel. Impiedosa. Uma irmã gêmea estilo Paola Bracho. Seria daquelas que leva seu amor sem o menor escrúpulo, seus sonhos, suas esperanças mais profundas. E como se nada tivesse acontecido, riria da sua cara e te chamaria para a festa mais próxima, porque a Vida não pára nunca. Seu combustível parece infinito, suas forças são infinitas.

Aí quando a gente cansa, não quer mais ir com essa amiga maluca para as milhões de festas que você não se diverte, só se lasca, decide desistir dessa companhia tão sem futuro. Deixa a Vida pra lá. Que escolha péssima! Você descobre que não dá porque a Vida nunca desiste de você. É aquela vizinha escutando música no último volume, é seu cachorro arranhando a porta do seu quarto. Não dá para ignorar.

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Cortar os laços entre você e essa maluca seria, em muitos níveis, traumático. Ruim com ela, pior sem ela. Não dá para existir sem toda essa loucura, sem essa vadia que te faz feliz e triste ao mesmo tempo. Essa maldita que leva embora tudo o que você já amou, tudo o que você acreditou, como se quisesse que você fosse só dela. E quase sempre consegue o que quer.

O que se aprende com alguém assim?! Uma vadia egoísta, egocêntrica, incansável e cruel armada com o acaso?!
Aprende-se que suas forças não são, e nunca serão suficientes.  Se deixar ela te levar, o bicho pega. Se levá-la, o bicho come.

E então você se entrega, aprende a ser tal qual essa tal de Vida.

Este texto faz parte do Projeto Escrita Criativa, que reúne escritores e blogueiros para colocarem no “papel” suas ideias. O tema desse mês foi Do que aprendi com a vida.

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