Da criança que fui


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Eu amava passar férias na casa da minha avó, brincar com meus primos e andar de bicicleta. E mesmo que esse pedaço da minha vida não tenha preenchido a maior parte da minha infância, é dele que eu lembro. Lembro da Fazenda, tacos de Beti improvisados, os livros antigos do Monteiro Lobato, trocar cartas com minha melhor amiga e ter que jogar queimada sem fazer barulho para não acordar os adultos que dormiam depois do almoço.

Eu achava um grande desperdício de tempo dormir depois do almoço. Hoje eu mataria por um cochilo de quinze minutos que fosse!

Minha infância foi embora, e com ela o meu sonho de ser dentista como a minha tia preferida. Não tenho mais sonhos, aprendi a ser uma adulta que não pensa no futuro e nem espera nada dele. Parei de andar de bicicleta, fiquei muito pesada para subir em cavalos e não sou mais bonita.

O tempo levou mais coisas do eu consigo lembrar, a minha infância é a única que eu realmente lamento. Mas me deixou os primos, a melhor amiga, a casa da vó (mesmo que eu nunca mais tenha tido tempo de ir lá). O tempo me deixou aqui, aonde estou agora, com toda merda e alegria que isso possa significar. Levou a criança e deixou essa louca que aqui vos fala. Quem imaginaria que essa coisinha fofa se transformaria nisso?!

Que seja. Não gosto de pensar no futuro e prefiro não cavucar o passado. Sei da criança que fui, mas jamais saberei que adulta eu poderia ter sido. Mal sei da que me transformei.

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