Corações Partidos


coracoes-partidos

Ilustra da Carolina Carmo

Corações partidos nunca se curam. Não importa o tamanho da fissura, nunca se cura.

Há rachaduras fundas e inundadas de mágoas que te fazem lembrar todos os dias da pedra que te atingiu ou do caminhão que te atropelou. Com o tempo ela lateja com menos frequência, mas sempre na mesma intensidade. Sempre lá, te lembrando das vezes que você foi rejeitada, iludida ou humilhada. Nunca cura.

Há rachaduras do bem, que doem mas ensinam. Como o meu primeiro namoradinho, que me trocou pela menina mais popular do colégio. Mal me lembro do namoradinho e nem sei mais o nome da menina, mas eu me lembro da sensação. Não foi por perder que eu sofri, for por ser preterida. Foi quando eu descobri que sentimentos não correspondidos causam dor física.

Depois disso eu tive meu coração partido inúmeras vezes, por homens e mulheres. Chorei todas as vezes, como se nunca fosse me recuperar. Mas sempre me recuperei! Aprendi, e cometi os mesmos erros milhões de vezes mais.

Meu coração nunca se recuperou de tantas pisadas. São essas várias dores que me obrigam a andar devagar, ter cautela e pensar. Podam minha espontaneidade e me prendem ao aparentemente seguro.

Corações partidos nunca se curam, tornam-se lembranças eternas de que o mundo não se importa. E porque deveriam se importar?! Eu não percebi quantos corações parti.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *